Exibido em: 03-Abr-2022
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Enfim a redenção de Birgitte Nyborg! Ou melhor, a redenção seria muito 'oportunista' para uma série que não costuma entregar saídas fáceis, é mais um 'se encontrar', algo menos heróico e mais pessoal. Essa temporada me parece que colocou as duas protagonistas de cada núcleo da série em estado de declínio. Birgitte e Katrine tiveram trajetórias semelhantes e espelhadas, ascensão e agora queda. Sem ser didática a série tentou mostrar as dificuldades do que é atuar no campo político e jornalista (no campo profissional de forma geral) e ao mesmo tempo ser mulher e exercer o que se espera de uma mulher e o quanto isto pode ser um peso, o que convenhamos não existe para nós homens. O quanto desgastou a vida pessoal e familiar de ambas as protagonistas ao ponto de sucubirem, Katrine de forma ainda mais brutal pois isso a levou quase a um ponto de ruptura psicológica e emocional. A série se mostra atual ao comentar tanto sobre a situação política atual com a guerra na Ucrania e as sanções sobre a Rússia e também na parte digital com os haters perseguindo Katrine na internet. No fim as duas personagens principais precisam dar um break pra tentar descobrir o que de fato vale a pena em suas vidas.
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7 0 0 |
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Não seria Borgen se não tivéssemos um bom discurso de Birgitte Nyborg neste final, não é mesmo?
Essa temporada foi uma jornada pessoal para a Birgitte, como política e como pessoa. Na vida pessoal, vimos a Birgitte na menopausa, sem marido e sem os filhos totalmente. Curioso vê-la dizendo que agora era mais fácil ser política 24/7 assim, mas claramente a ausência dos filhos se mostrou um certo peso emocional, o que a levou a querer mais que nunca ser relevante na política. Nunca vimos a Birgitte tão obcecada pelo poder como nessa temporada. E achei curioso que foi justamente a falta inicial de poder, controle e autonomia que a levou por esse caminho complicado dessa temporada, afinal sempre a conhecemos com o poder nas mãos e sendo íntegra durante todo esse tempo. Até na terceira temporada, quando ela teve a oportunidade de se tornar PM sem ter maioria, ela recusou, o que demonstrou maturidade e integridade da parte dela. Aqui a história foi diferente. Vimos uma Birgitte disposta até a ouvir Michel Laugesen e a usar o filho para retomar popularidade. Gostei da correção de rota nesse final. O discurso do Bent foi muito bonito e agridoce para a Birgitte, e que bom que ela recobrou a consciência, ignorando o Laugesen. E a mulher é tão gênia que mesmo quando renuncia ainda sai por cima rsrs, porque ela vai lá ser comissária europeia. Muito lenda essa mulher! Vimos também o nascimento de um possível herdeiro político com Magnus. Gostei de explorarem um pouco mais o rapaz. Ainda tem muito que aprender, mas a mãe pode ser uma excelente guia. Já com a Karine, acho que ela ficou um pouco perdida na série. A trajetória nessa temporada, pra mim, foi muito semelhante ao que a Birgitte passou na primeira temporada, uma ascensão profissional que levou à corrosão da vida pessoal, mas com uma conclusão muito mais triste. Katrine além de decidir se demitir, ainda ficou com uma ansiedade e uma depressão nas costas, embora não tenha perdido a família. Acho que se formos fazer uma comparação entre Katrine e Birgitte nessa temporada, vimos um antagonismo entre mulheres nos dois setores, Katrine x Narcisa / Birgitte x Kraght. Só que enquanto a Katrine foi sofrendo com as críticas online e com as pressões internas e cada vez mais tendo atrito com a âncora; a Birgitte soube contornar a imprensa, usar as redes e ainda se aproximar da PM. Foi triste ver uma Birgitte feliz e satisfeita de um lado, olhando com pesar para a Katrine, em seu pior momento, arrasada. Aquele beijo que a Birgitte mandou foi muito fofo, por toda a história das duas. Falando um pouquinho de política externa, gostei como Borgen soube se manter relevante e atual. São alguns pequenos detalhes que me deixam muito alegre de ter descoberto essa série. Eu amei eles mencionando a retirada dos pandas do zoológico de Copenhague rsrs. Quem estuda geopolítica sabe da importância dos símbolos e como um simples panda pode ser relevante para a China. Parece algo pequeno, mas já caiu um texto que menciona isso na prova para o ingresso na carreira diplomática brasileira. Sobre a Groenlândia em si, no momento está no poder um partido pró-independência, mais à esquerda e ambientalista. Eles proibiram novas prospecções de petróleo e gás e ainda querem proibir a extração de urânio, para a tristeza dos chineses, que tentaram sim entrar na região, por intermédio de uma empresa australiana. Vale lembrar que ano passado o Trump, enquanto presidente dos States, quis comprar a Ilha, o que foi prontamente rechaçado pela Dinamarca. Gostei dos novos personagens, sobretudo do Asger. Espero que ele se resolva com a Emmy e seja um bom embaixador no Ártico. Aliás, eu gosto bastante de como mostram o trabalho dos servidores do ministério, que precisam se adaptar aos diferentes políticos e governos que por lá passam. Enfim, foi muito bom rever Birgitte e cia nesse novo mundo mais conectado de hoje.
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6 0 0 |
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Birgitte é um dos melhores personagens q já tive o prazer de acompanhar. Sensação de final da série e se for, encerra com a melhor temporada até aqui.
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4 0 0 |
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a temporada foi excelente, mas não gostei desse vai e volta da nyborg. tbm da Katrine ter saído. ela é uma boa chefe aquela outra la que era insuportável.
será que daqui uns 10 anos vem próxima temporada?
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Lembro de assistir Borgen pela primeira vez lá em 2016. Assisti em doses homeopáticas, era um achado logo uma série dificil de encontrar para ver. Ainda assim, fiquei vidrada e impactada, era aquela fase da vida que uma menina se torna mulher, portanto, eu pensava muito sobre o meu lugar no mundo. Não revi para assistir o revival, mas lembro de plots sobre a vida pessoal da Birgitte, que evidenciavam a dificuldade da mulher em tê-la junto a profissional. Agora, 12 anos depois da estreia, vemos o revival mostrar ainda mais cristalino sobre essa questão.
Borgen, já em seus primeiros minutos, mostra o ex marido da Birgitte prestes a se tornar pai novamente, enquanto ela está tendo ondas de calor, beirando a menopausa. No aniversário do Magnus, brincam que Phillip pode ser pai e avô ao mesmo tempo, já a Birgitte somente avó. O homem pós divórcio renasce, mas e a mulher pós divórcio, o que acontece? O que resta à ela quando o marido não suporta a sua vida profissional e se separa, quando os filhos crescem, quando ela começa a envelhecer e quando há mulheres mais novas a rodeando, em posições em que ela já esteve? E não falo somente enquanto Primeira Ministra, mas também na posição de uma mulher como a Emmy, que pode ser amada e principalmente desejada por outro homem. Essa é, para mim, a grande pergunta dessa volta de Borgen. Mas, claro, isso é génerico. E aqui nós não estamos tratando de algo génerico; estamos falando de Birgitte Nyborg. Uma personagem bem escrita, de nuances, que pode ser considerada idealista demais na corrida original da série e aqui, se mostra em camadas devido as circunstâncias já citadas. É uma personagem bem atuada também, Sidse a pega e nem parece que não a vive há quase 10 anos. Em complemento a isso, temos Katrine - nesse revival, muito menos próxima da Birgitte - mas, de qualquer forma, uma personagem que passa por coisas semelhantes à ela em relação ao trabalho. Antes, um furacão como âncora, agora uma gestora que precisa medir suas palavras e equilibrar pratos. De ponto de vista politico, Borgen pode não ser uma série perfeita, não tenho como entrar muito nesse mérito uma vez que eu não domino o assunto, mas da forma que conduz a sua protagonista, é uma série sim muito boa. Gostei do revival, ainda que com gosto de final definitivo, foi bom voltar a dar um "oi!" para Birgitte nos dias de hoje.
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